O Rio Itamambuca
A Bacia Hidrográfica do Rio Itamambuca insere-se na Unidade Hidrográfica de Gerenciamento dos Recursos Hídricos (UGRHI) 3 do Litoral Norte de São Paulo. Esta, segundo o Relatório de Situação de Recursos Hídricos do Litoral Norte (CBH-LN, 2023), possui 1.987 km2 de extensão territorial, dos quais 1.592 km2 são áreas continentais e 365 km2 são áreas insulares.
A bacia hidrográfica do Rio Itamambuca possui uma área aproximada de 50 milhões de metros quadrados, tem o seu ponto mais alto a aproximadamente 1.100 metros de altitude em relação ao nível do mar, faz divisa com as bacias do Centro/Praia Vermelha/Perequê-Açu e Praia do Félix, apresentando uma área de drenagem total de 56,4 Km².
O Bairro de Itamambuca, localizado a 13 km ao norte do Município de Ubatuba, compreende uma área de terreno predominantemente acidentado e uma pequena área plana próximo à Praia de Itamambuca, inserida numa faixa de terra delimitada por montanhas da Serra do Mar e o Oceano Atlântico.
O principal rio da Bacia é o Rio Itamambuca (Figura 2), chamado também por alguns moradores tradicionais de Rio Grande, tem aproximadamente 16 km de extensão. Sua nascente fica a aproximadamente 1000 metros de altitude na Serra do Mar. Este rio, que deságua no canto direito da Praia de Itamambuca, possui três principais afluentes nas proximidades das áreas ocupadas – Rio do Cavalo, Rio Arataca e Rio Garacuí.

Bacia Hidrográfica do Rio Itamambuca. Fonte: mapa adaptado da imagem ESRi.
Abaixo segue os principais afluentes do Rio Itamambuca:
Rio do Cavalo: Afluente do Rio Itamambuca que nasce na região mais alta do Sertão de Itamambuca, cortando também os trechos denominados Ranário e Recanto Itamambuca. Ocorrem diversas alterações na vegetação ciliar e ocupações junto às margens.
Rio Arataca: Afluente do Rio Itamambuca que corre paralelamente à estrada da Casanga, no Bairro do Sertão do Itamambuca, tem suas características naturais consideravelmente modificadas pela ocupação urbana. Foram verificadas diversas intervenções na vegetação próxima às suas margens, entre elas: moradias, alguns estabelecimentos comerciais, pontes improvisadas, etc.
Rio Guaracuí: Importante afluente do Rio Itamambuca, está localizado próximo ao Morro do Tiagão. Mantém suas características naturais bem preservadas, bem como sua mata ciliar. Devido ao bom nível de preservação de suas margens e quase nenhuma ocupação urbana em suas proximidades, não apresenta indícios preocupantes de degradação ambiental.

Foto: Bruno Maia.
Os diagnósticos da CETESB, CBH-LN e SMA (Projeto Onda Limpa) identificaram Itamambuca como uma das regiões que mais vem perdendo qualidade de suas águas no litoral norte de São Paulo. Devido a esse prejuízo na qualidade ambiental, a Bacia do Rio Itamambuca foi considerada, segundo o Plano de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN, 2009b), como uma das bacias críticas da UGRHI 3 e prioritária para ações de controle e recuperação da qualidade ambiental.
A CETESB faz o monitoramento semanal da foz do Rio Itamambuca, constatando que na maioria das vezes ela está imprópria para recreação de contato primário, sinalizando-a com a bandeira vermelha. Sua classificação como IMPRÓPRIA, indica um comprometimento na qualidade sanitária das águas, implicando em um aumento no risco de contaminação do banhista por doenças de veiculação hídrica.
A bacia conta com uma ocupação fixa de origens variadas, localizadas nos bairros apresentados na figura abaixo (Figura 3): Morro do Tiagão, Asa Branca, Recanto da Vila, Loteamento de Itamambuca, Sertão da Casanga, Correias Mercúrio e Ranário.

Foto: Silvia Britto.
Além da existência de remanescentes quilombolas, do Quilombo do Sertão do Itamambuca, o território tem a representação da comunidade indígena, na Aldeia Rio Bonito, que também habita as margens do Rio. A miscigenação da cultura nativa Guarani, com a cultura trazida pelos afrodescendentes, somada à colonização e influência da cultura europeia, formou-se a cultura caiçara. Esta representada pelas artes de pesca, agricultura e artesanato local e estão bem representadas na Rota do Artesanato Caiçara, localizada no Bairro Casanga.
Assim, a BH têm influência histórica de três povos tradicionais que possuem um enorme potencial para o fomento do turismo de base comunitária, onde é possível preservar a identidade local e a conservação do meio ambiente. Por ser esse mosaico formado por povos originários, comunidades tradicionais, unidades de conservação, áreas de proteção permanente e estar inserida na floresta mais biodiversa do mundo, a BH de Itamambuca tornou-se um território sociobiodiverso.

Foto: ICOA / Registro de monitoramento da água do Rio Itamambuca durante o Projeto Vozes do Rio Itamambuca. (Iniciativa: SAI - Sociedade Amigos de Itamambuca, Apoio: FeHidro).

